Estudo indica que mineração pode gerar mais de 3 milhões de empregos
Apresentado em evento paralelo à COP30 em Belém, relatório projeta ganhos ambientais e sociais da mineração
Apresentado em evento paralelo à COP30 em Belém, relatório projeta ganhos ambientais e sociais da mineração
A EY apresentou ontem (11/11), em Belém (PA), um estudo que coloca a agenda ambiental, social e de governança como alavanca direta de valor para a mineração brasileira. O relatório “Impact Edge: ESG como alavanca de valor na mineração” estima que um portfólio coordenado de iniciativas pode elevar em 20,81% o valor agregado do setor, resultado equivalente ao crescimento acumulado dos últimos cinco anos, e ativar R$ 399 bilhões ao ano na economia do país. A projeção inclui efeitos diretos e indiretos na cadeia produtiva.
Os números ganham força quando traduzidos em empregos e indicadores ambientais. A EY projeta mais de 3 milhões de novas vagas e a preservação de 4,8 trilhões de litros de água. O pacote também evitaria 19,52 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, bem como 400 milhões de toneladas de resíduos. No sistema público de saúde, o modelo aponta 93.056 internações a menos por ano, com economia de R$ 47,77 milhões.
A consultoria ancora as projeções na abordagem proprietária Impact Edge, que conecta cada iniciativa a efeitos financeiros, ambientais e sociais ao longo da cadeia de valor. A lógica parte da economia como um ecossistema interdependente, no qual tecnologias, mudanças de processo e políticas de mitigação repercutem em fornecedores, clientes e reguladores. O método permite mapear alavancas, simular cenários e priorizar projetos por retorno e risco.
Conexão com compromissos e jornada de descarbonização
O estudo EY foi relacionado a outro apresentado pela equipe do IBRAM, intitulado Compromissos do Setor Mineral. É um posicionamento técnico do IBRAM que consolida metas mensuráveis para a agenda ambiental e climática do setor e apresenta uma jornada de descarbonização com base em evidências setoriais. Leia mais sobre o estudo do IBRAM aqui.
O evento aconteceu na EY House, em Belém, com a participação do diretor de Sustentabilidade do IBRAM, Rinaldo Mancin, da gerente de Sustentabilidade, Cláudia Salles e da coordenadora de Assuntos Associativos e Mudança de Clima, Luisa Rates.
O que a EY recomenda priorizar
O relatório organiza sete frentes de ação. Gestão da água com recirculação e monitoramento. Eficiência energética e descarbonização com eletrificação de frotas, biocombustíveis e contratos de energia renovável. Gestão de rejeitos e segurança de barragens com filtragem e auditorias independentes. Resíduos e economia circular com aproveitamento de estéreis e rejeitos. Fechamento de minas com restauração de habitats. Interação com comunidades com foco em licença social e redução de desigualdades. Governança e transparência com relatórios auditados e instituições eficazes.
Por que importa agora
O estudo posiciona a COP30 como janela para o Brasil apresentar uma mineração com metas verificáveis, rastreabilidade e impacto comprovado. A análise afirma que é possível combinar competitividade econômica com responsabilidade ambiental e inclusão social. Quem alinhar estratégia, dados e execução tende a reduzir custo de capital, preservar mercados e capturar vantagem competitiva de longo prazo.
Os grandes números do estudo da EY
• R$ 399 bilhões ativados na economia por ano, ou 3,4% do PIB;
• 20,81% de crescimento potencial do setor;
• 4,8 trilhões de litros de água preservados;
• 19,52 milhões de toneladas de CO₂ equivalente evitadas;
• 400 milhões de toneladas de resíduos evitados;
• 93.056 internações a menos no SUS e economia anual de R$ 47,77 milhões;
• 7.152 vagas afirmativas de liderança;
• Mais de 3 milhões de empregos.
Metodologia
O Impact Edge reúne dados setoriais, metas e indicadores ESG e simula efeitos encadeados de políticas e tecnologias. A ferramenta integra métricas financeiras e não financeiras para orientar a priorização de projetos, a estruturação de financiamento rotulado e a definição de metas auditáveis.
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